terça-feira, 9 de agosto de 2016

MÁ VONTADE, PREGUIÇA E PESSOAS MORNAS

Por que hoje não vamos começar a partir de Platão? Porque Platão nunca falou disso...

Mas por que raios os gregos nunca abordaram esse assunto? Por que o pessoal da idade média nunca se interessou por isso? E por que essa questão só passou a ser relevante a partir da modernidade?

Creio que seja fácil de entender e nós já temos até elementos para costurar rápido essas respostas...

O que era a ética dos gregos?

Era uma ética harmônica, com a concepção física dos gregos.

E o que isso quer dizer?

Quer dizer que a reflexão sobre a vida boa, era uma reflexão que tem como referência o universo, cosmos. E por tanto a vida boa, era a vida encaixada, ajustada e harmônica com o todo. Dessa forma nós teríamos um papel nesse universo e o universo funcionaria bem se nós com EXCELÊNCIA cumpríssemos o nosso papel.

De certa maneira, isso significa que nós nascemos para alguma coisa e por tanto existe uma causa final para nossas vidas. Uma finalidade que dá sentido as nossas vidas. Quando nós encontramos esse papel, encontramos esse lugar e com excelência cumprimos nosso papel e o universo se alegra conosco. A energia do universo passa por nós, somos felizes e vivemos bem.

AGORA, quando estamos fora de lugar, fazendo aquilo que não faz jus a nossa natureza, desrespeitando os nossos talentos em nome sabe-se lá do que (geralmente dinheiro/poder), então vivemos errados, fazemos o que o universo não espera de nós e a energia do universo não passa por nós e o sintoma disso é a tristeza.

Essa era a principal questão da ética e vida boa para os gregos, era apenas uma questão de relacionamento nosso para com o Universo.
        Mas por que diabos eu resolvi escrever sobre isso? Algo que me tortura e me deixa extremamente chateado a ponto de da uma bica em alguns é exatamente a falta de ética, a má vontade alheia, misturados com preguiça da grande maioria e o cinismo.

        Se eu fosse um grego da época da introdução, não fazia a diferença então você que está lendo, ou quem me atende, ou quem é babaca no campo do trabalho, ou o garçom que me serve mal, ou a TIM que me toma 1 hora por dia no telefone, ou a Cielo que me empurra a máquina, a gerente do banco que travou sua conta por que o endereço está errado e etc etc etc... A final, a questão da felicidade seria pura e simplesmente um problema meu para com o universo. Se eu fizesse errado, simplesmente receberia errado.

        Esta aí o problema dos dias atuais. Hoje somos empurrados goelas abaixo problemas ou produtos que não queremos, que não estamos dispostos  nem um pouco a gastar nosso precioso tempo de vida para resolver e tão pouco esperamos um péssimo atendimento de quem deveria nos servir (e bem), a final pagamos (e muito) por algumas inutilidades que achamos que necessitamos.

        Warren Buffet, em uma de suas celebres frases dizia que “é mais fácil evitar problemas do que se livrar deles”. 

        Mas com evitar os problemas? Eu sou um cara metódico (mas não sou obsessivo) e por vezes sou tido como "o chato" paras com os outros. Um churrasco em família acaba se tornando inicialmente um plano de negócios, que tem budget e prazo para acontecer.  Sempre fui assim e gosto de fazer dessa forma, isso me traz segurança e a alegria de ver as coisas funcionando bem. Essa foi a forma que eu achei para evitar alguns dos problemas cotidianos.

        Se você tratar um plano de ação comigo, definir cronograma, você terá o meu melhor nas tarefas, isso me dá muita alegria, pois estou fazendo a minha diferença e espero que traga benefício a todos a minha volta. Mas e os outros? Será que eles se importam com o que foi definido? Será que eles estão preocupados mais com a conta do final do mês do que desempenhar suas atividades com primazia? Aí que vem a falha obvia nos planos em geral, os correlacionados. Então para nós do dias atuais, os outros são tão importantes do que apenas fazer no nosso eu singular.

        Mário Sérgio Cortella, filósofo brasileiro em um de seus livros que se chama “Se você não existisse que falta faria?”, aborda de forma fantástica o que vivemos atualmente.

        Cortella menciona em suas palestras a cerca do livro, o raciocínio americano comparado a da grande maioria do brasil. O americano tem como natureza pensar e agir da seguinte forma “I will do my best” (Eu vou fazer o meu melhor), enquanto o brasileiro tem como lema na ponta da língua “Vou fazer o possível...”. Misture isso a uma sociedade que é por natureza esquerdista (socialista), que acha que o estado tem que resolver tudo, dar tudo e que minha única tarefa é planejar o fim do mês (como um gestor de almoxarifado), sem perspectiva para 5, 10, 20 anos e você terá o comportamento formatado do brasileiro médio.

        Imagine um bombeiro apagando o incêndio de sua casa, dá cinco horas da tarde ele começa a enrolar a mangueira e avisa, ”amanhã estou aí de novo, valeu !”. E se você perguntar a ele, “Ei, ainda falta apagar o fogo da sala e dos quartos…”, ele vira e lhe fala: “Pelo que me pagam, já fiz até muito (risos)…”

        Isso nunca aconteceu, graça a Deus, mas percebem que esse comportamento em geral é tosco e desprezível?
       
“I will do my best.”

        Não aceito serviço porco, não aceito atendimento ruim, não dou gorjeta a garçom que joga a pizza no meu prato (tão pouco 10%), não remunero e nem agracio porcarias de serviços que nos oferecem no Brasil. Em contrapartida faço meu melhor, ainda acredito em meritocracia mesmo com uma sociedade ondes os valores estão tão desvirtuados e amoral. 

Posso até melhorar a frase acima:

        Não aceitem serviços porcos, não aceitem atendimentos ruins, não deem gorjetas a garçons que jogam as fatias de pizza no prato de vocês, não remunerem e nem agraciem porcarias de serviços que nos oferecem no Brasil. Em contrapartida façam o melhor de vocês, acreditem em meritocracia mesmo que a  sociedade estejam temporariamente com os valores tão desvirtuados e amoral.

        Eu vou fazer minha parte, farei meu serviço da melhor forma e viverei com finalidade, primazia, excelência. Não elogiarei o medíocre e jamais enaltecerei o corrupto. Espero um dia olhar para trás e enxergar que vivi em harmonia com o universo, escrevi parte de minha obra e mais importante, fiz a diferença. Não quero ser famoso e tão pouco morno, o cara em cima do muro que espera o fim do expediente e o salário ao final do mês. O cara que perguntam, como foi fazer tal coisa, ele responde, fiz o possível....

Encerro deixando uma passagem bíblica, apesar de não ser religioso, acredito ter sido muito bem escrito e que de certa forma deverá ser interessante para aqueles que acham que fazer somente o  possível e/ou ficar em cima do muro é a estratégia mais sábia:  

“Conheço as suas obras, sei que você não é frio nem quente. Melhor seria que você fosse frio ou quente! Assim, porque você é morno, nem frio nem quente, estou a ponto de vomitá-lo da minha boca.”

Apocalipse 3:15-16

        Ou como dizem, Deus vomitará os Mornos....

        Abaixo um palestra do Professor Cortella que com toda certeza iluminará um pouco e o fará a pensar sobre a questão:





Um forte abraço e sucesso a todos!